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Terceira idade ao som do berimbau Em busca de qualidade de vida, idosos frequentam a capoterapia Wellington Vieira Berimbau, cantos fortes, palmas, energia, reza, idosos com gingados que impressionam. O nome disso? Capoterapia, uma mistura de capoeira e terapia. Os movimentos são leves, de acordo com a flexibilidade e limites físicos de cada um. Vovôs e vovós se divertem e se exercitam na aula do mestre Gilvan Andrade, o fundador da Associação Brasileira de Capoterapia. A prática estimula a circulação sanguínea, a coordenação motora, a resistência muscular e a mente, por meio de cantigas de roda. A capoterapia surgiu depois que o mestre de capoeira Gilvan Andrade observou um grande número de idosos atendidos nos postos de saúde em decorrência de doenças causadas por depressão, hipertensão, diabetes e alcoolismo, geradas, na maioria das vezes, por conflitos na própria família. “Eu escondia o berimbau e pedia para palestrar dentro do posto de saúde. Quando era permitido, eu iniciava uma atividade de dança, e eles não queriam que eu parasse. No final das atividades, os idosos me diziam que era a melhor reunião de que tinham participado”, lembra o professor. Os médicos dos postos de saúde gostaram do resultado e começaram a encaminhar pacientes para a capoterapia. “Eles achavam o exercício interessante”, diz mestre Gilvan. Em 1999, mestre Gilvan fundou a associação, com o propósito de promover a inclusão social e a qualidade de vida da população idosa das cidades-satélites. Hoje são quase 100 núcleos de capoterapia para a terceira idade em oito locais no Distrito Federal. O trabalho também é feito com portadores de necessidades visuais, deficientes mentais e auditivos, paraplégicos e obesos. Os encontros são de segunda a sexta. Cada local tem um voluntário responsável, mas as turmas contam sempre com a participação do mestre Gilvan e seu berimbau. Mercedes, 75 anos, sofria com dores na coluna. “Não conseguia nem me levantar.” Após dois anos freqüentando as aulas, hoje se sente curada. Maria do Carmo, 66 anos, mora em Águas Lindas e participa das aulas em vários lugares. Não tem nenhuma doença, seu objetivo é incentivar as pessoas que sofrem de depressão e ficam isoladas em casa a praticar a capoterapia. “A amizade aqui é uma coisa sincera”, diz. Izabel Fernandes, 70 anos, mora só, em Taguatinga, e não gosta de atrapalhar a família. “Tenho medo de morar só, acho perigoso, mas acordo cedo e venho para a capoterapia e encontro muitos amigos. Tem coisa melhor que um abraço amigo pela manhã?” Segundo Izabel, a depressão persegue quem está isolado do mundo. “Minha família me apóia e me adora”, conta. João Gonçalves, 67 anos, teve vários derrames, o joelho não dobra, mas participa das aulas de acordo com sua resistência. “Não desisto”, afirma. É simples participar de um grupo de capoterapia. Todos os postos de saúde de qualquer cidade dão informações sobre os grupos, muitos dos quais se reúnem dentro do próprio posto. Não é preciso pagar nada e faz bem à saúde. “Alguns encontros fora de Brasília são pagos pelos próprios alunos, mas a diversão é garantida”, diz mestre Gilvan. A Associação de Capoeira Ladainha, localizada na QNL 30, conjunto A, lote 33, Taguatinga Norte é uma entidade não governamental, sociocultural e desportiva, sem fins lucrativos. Tem por finalidade desenvolver programas, atividades e projetos de natureza socioeducativa e cultural. Horários e turmas da Capoterapia em Brasília: Segunda-feira: Centro de Saúde nº05 Ceilândia Norte, às 8h. Secretaria de Ação Social de Águas Lindas, às 10h. Terça-feira: Associação dos Idosos em Taguatinga / Paradão, às 8h. Quarta-feira: Centro de Saúde nº02 Praça do Bicalho, às 7h30. Universidade Católica Taguatinga, Bloco G, às 9h. Quinta-feira: Centro de Saúde nº08 P Norte, às 11h. Sexta-feira: Universidade Católica, Bloco G, às 9h. Caminhada da Lua no Parque da Cidade, às 20h. Outras informações poderão ser obtidas no site www.capoterapia.com ou pelo telefone 61 3475-2511 publicado em 03/09/2007 http://www.iesb.br/grad/jornalismo/na_pratica/noticias_detalhes.asp?id_artigo=9344 Regina Ramos Tudor -
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